18 de julho de 2010

Acho que eu sou a pessoa mais medrosa que já conheci em toda a minha vida. Claro, meus medos são separados por idade. Aos cinco anos, medo da solidão. Aos seis, medo de fantasmas (de lençol mesmo) e lobisomens. Depois, de fantasmas de filme de terror barato, com nomes feitos para marcarem uma vida inteira (Príncipe Dilacerado ou Chacal atrapalhariam muito bem uma noite de sono).
Lá pelos meus dez, tive medo de japonesas sem mandíbula que se contorciam por escadas e aterrorisavam a vida de quem entrasse em determinada casa. E fiquei com isso na cabeça até os treze.
Aí conheci uma coisa provavelmente pior que solidão, escuro, fantasmas, lobisomens, Príncipes Dilacerados, Chacais e japonesas sem mandíbula. Conheci uma coisa que me aterrorisa, e sinceramente, me sinto fraca por ter medo. Tenho medo do amor. Tenho medo de me apaixonar. Tenho medo de não acreditar. Tenho medo de me aproximar. Tenho medo de gostar mais do que devia. Tenho medo de ter, tenho medo de ser, tenho medo de querer.
"Toda música acaba. E essa é uma razão pra não aproveitar a melodia?". Quantas vezes já ouvi isso? Virou até clichê. Mesmo assim, tenho medo. Tenho medo de ficar entretida demais com a guitarra, apaixonada demais pelo baixo, hipnotizada demais pela bateria. Tenho medo de querer sempre mais. E quando a música acabar, tenho medo de ter que apertar "pause" e ter que esperar minha caixinha de música, também chamada de coração, se consertar. Tenho medo do silêncio que antecede a próxima música. Tenho medo do que é incerto. Tenho medo de dar "play" mais uma vez e perceber no final, que o CD estava todo arranhado. (Isadora)

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